Guerra da Centelha

Coletânea de Histórias em Português

Sumário

08 de Maio de 2019 | Por Greg Weisman

Velhos Amigos e Novos

Hekara estava me esperando no Passeio Transguildas.

Parei por um segundo ou dois para absorvê-la. Sei que soa ridículo, mas ela era minha melhor parceira, minha heroína, meu modelo. Ela tinha sinos no cabelo, e eu usava sinos pendurados nos meus ombros — nos ombros em vez do cabelo porque eu não queria que fosse óbvio demais que eu estava copiando totalmente o visual dela, o estilo dela, sua~Hekarice.

Mas eu estava sendo boba, então chamei e ela se virou, abrindo aquele seu sorrisão enquanto gritava meu nome: "Rat! Vem cá, docinho, e me dá um beijo."

Ela fala assim o tempo todo.

Eu lhe dei um abraço. Ela é muito mais alta do que eu, e me girou como se fôssemos acrobatas em um dos cortejos de sangue de sua guilda. Exceto que estávamos no chão, não em uma corda bamba, e não havia lâminas ou sangue real envolvidos.

Desta vez.

"Diz o que está rolando, a fofoca louca completa", disse ela.

"Claro, claro", eu disse, tagarelando rápido, como costumo fazer perto dela (ou, sabe, sempre que abro minha boca grande). "Segui o Mestre Zarek até Nivix, como você queria. Não sei por que ele vive te dando o cano o tempo todo—"

"Não é? Por que alguém iria querer me dar o cano?"

"É meio inconcebível. Mas se isso me dá a chance de te ajudar ficando de olho nele, você sabe que fico feliz em ser útil."

"Você é a minha Rat."

"Sou a sua Rat."

"Massa. Com quem ele falou?" Minha garota Hekara era emissária do demônio Rakdos e fora incumbida por seu mestre de vigiar o Mestre Zarek da Liga Izzet. Mas o dito cujo vivia mandando-a embora, que era onde eu entrava, sabe? Hekara tinha me encarregado de seguir o Mestre Zarek quando ela não podia. Seguir alguém sem ser notada é uma das minhas habilidades particulares, minha melhor habilidade. E, como eu disse, eu amava ser útil para minha melhor parceira.

"Ele se trancou com o chefe dele."

"Niv-Mizzet?"

"Aham."

"Trancou?"

"Em um laboratório. Um laboratório grande. Mas eram só os dois lá dentro sozinhos. Eu tinha me esgueirado para dentro de Nivix, mas não consegui entrar no laboratório antes da porta fechar. E achei que, se tentasse abri-la, eles poderiam notar."

"Sério?"

"Era uma porta muito grande e não estava bem lubrificada."

"Ah."

"Então eu segui pelos dutos de ar~"

"Você é a minha Rat."

"Sou a sua Rat. Enfim, perdi a maior parte da ação. Houve algum tipo de~explosão? Quando cheguei a um duto que dava para o laboratório, quase tudo o que eu conseguia ver era fumaça. O ventilador do duto tinha ligado — automaticamente, eu acho — e estava sugando a fumaça direto para dentro. Eu estava tossindo tanto que tive medo de que eles me ouvissem."

Ela balançou o dedo para mim. "Não, você não teve."

"Não, não tive. O problema é que eu também não conseguia ouvi-los. Tinha muitos ventiladores soprando, muito barulho. O Mestre Niv-Mizzet não parecia feliz, porém. Eles estavam ambos encarando uma máquina grande, que foi aparentemente o que explodiu. Não tenho ideia do que ela deveria fazer, mas claramente não funcionou. Estava carbonizada, fumegando. Até pegando fogo em alguns lugares, embora nem o Mestre Niv-Mizzet nem o Mestre Zarek tenham feito nada contra as chamas. Ouvi talvez uma frase. Algo sobre um farol ser a única chance deles agora."

"Isso faz sentido. Se é que algo faz."

"Se você diz."

"O que mais, parceira?"

"Não muito. O Mestre Niv-Mizzet saiu voando. O Mestre Zarek abriu a porta do laboratório e um bando de goblins entrou correndo para apagar o fogo. Eles foram muito eficientes."

"Goblins Izzet têm muita prática em apagar incêndios. Quase tanto quanto têm em causá-los."

"O Mestre Zarek chamou um goblin de canto e disse para ele mandar mensageiros para a Senhora Kaya, a Senhora Vraska, a Senhorita Lavínia, o Senhor Vrona e você. Achei melhor dar o fora de lá e te avisar para que você soubesse o que estava rolando antes de atender ao chamado dele."

Como se combinado, um goblin apareceu correndo. Ignorando-me, ele curvou-se diante de Hekara e entregou-lhe um pedaço de pergaminho. Ela deu um tapinha na cabeça do goblin e deixou cair uma lâmina de barbear em sua palma aberta como gorjeta. Ele encarou a coisa, olhou para o sorriso perigoso de Hekara e então recuou lentamente. Quando estava a uns um metro e meio de distância, virou-se e saiu em disparada.

Hekara desdobrou o pergaminho e assentiu. Os sinos em seu cabelo tilintaram suavemente. "Você estava certa", disse ela. "É hora do agora ou nunca. Meu parceiro Ral precisa que esta que vos fala ative o Farol-Zão para convocar as super-tropas para lutar contra o dragão malvado."

"O Mestre Niv-Mizzet é malvado?"

"Não. Outro dragão."

"O que eu posso fazer?"

Ela olhou para mim e acariciou meu cabelo. Acho que se eu tivesse uma irmã mais velha, ela seria como a Hekara. Mas eu não precisava de uma irmã mais velha porque eu tinha a Hekara. Ela disse: "Bem, eu estarei com o velho Ralzinho pessoalmente, então você pode tirar a noite de folga. Vamos nos encontrar de volta aqui, oh~um pouco antes do amanhecer. Se eu não aparecer, é porque ainda estou com ele, e você pode tirar o dia inteiro de folga."

"Tem certeza?"

"Claro, tenho certeza. Não preciso que você siga o cara se eu estiver com ele."

"Tudo bem~"

Acho que ela deve ter sentido que eu estava relutante em deixá-la. Ela ergueu meu queixo e disse: "Ei, você é a minha Rat. Não minha mariposa. Sei que sou a luz mais brilhante do Multiverso, mas não precisa ficar sobrevoando. Já sou bem grandinha. Sei cuidar de mim."

"Eu sei disso", eu disse, talvez um pouco ressentida. Um pouco.

Ela teve pena de mim então. Me abraçou e me girou de novo. Já sou meio velha para essa brincadeira, mas, honestamente, ainda adoro. Ela me pôs no chão e beijou minha testa.

"Tenho que ir, docinho."

"Tchau, Hekara."

"Tchau, Araithia." Achei estranho que ela usou meu nome completo. Ela quase nunca me chama de Araithia. Mas deixei para lá. Observei-a atravessar o passeio. Então virei para ir embora. Eu não comia fazia tempo e estava com fome.

15 de Maio de 2019 | Por Greg Weisman

O Caminho para Orzhova

Hekara estava morta.

Era tudo o que eu sabia.

Foi sorte, eu acho, que eu estivesse entre o Teyo e a Senhora Kaya, que estavam repelindo os Eternos que atacavam. Acho que eu não conseguiria repelir nem um gato doméstico naquele momento.

Acho que nem teria me dado ao trabalho.

Minhas memórias dos minutos seguintes não são muito claras. Acho que o Mestre Zarek disse algo sobre o seu Farol convocando mais daqueles tipos Planeswalker como ele e a Senhora Kaya e o Senhor Jura e o Senhor Beleren e o Teyo. Chuto que havia Planeswalkers aparecendo por todo o nosso redor. Acho que um era um minotauro. Não sei.

Hekara estava morta.

Ela deveria ter sido uma Planeswalker. Uma Planesdancer. Eu conseguia imaginar isso. Hekara dando cambalhotas pelo Multiverso, visitando mundos diferentes, fazendo todos sorrirem. Tirando um pouco de sangue. Ou, sabe, muito sangue.

Além disso, se ela fosse uma Planeswalker, poderia ter transplanado para fora do caminho do que quer que a matou.

"Como ela morreu?" perguntei. Mas só o Teyo estava prestando atenção em mim, e ele não sabia.

E então algo aconteceu. Eu realmente não estava prestando atenção em ninguém, mas acho que alguém deve ter lançado um feitiço. Teyo baixou seu escudo e cobriu os olhos.

Isso me despertou. Tinha que despertar. Um Eterno estava prestes a esmagar os miolos do meu novo amigo Teyo — meu único amigo Teyo — com um martelo.

Furiosa, saltei sobre ele e o esfaqueei nos olhos. Ele cambaleou~então caiu.

Eu estava fervendo. Não me lembro de nunca ter ficado tão brava.

Eu era material Gruul de primeira agora. Meus pais ficariam tão orgulhosos.

Forma Fantasmagórica de Kaya | Arte de: Johan Grenier
22 de Maio de 2019 | Por Greg Weisman

Reunindo os Relutantes

A praça estava um caos. O portal continuava cuspindo Eternos, e a resistência estava sendo empurrada para trás. Gideon Jura liderava a carga, sua espada brilhando com uma luz dourada enquanto ele abria caminho através das fileiras de lazotep.

Ral Zarek e Kaya estavam ao lado dele, cada um usando seus talentos únicos para conter a maré. Mas não era suficiente. Precisávamos de mais ajuda, e precisávamos agora.

29 de Maio de 2019 | Por Greg Weisman

Agentes Desesperados

A infiltração na Cidadela foi um fracasso. Bolas estava sempre um passo à frente, antecipando cada movimento nosso. Chandra e Jaya Ballard mal conseguiram escapar com vida, suas chamas mal arranhando as defesas do dragão.

Niv-Mizzet estava caído, sua forma imensa espalhada pelas ruínas do Décimo Distrito. As esperanças de Ravnica estavam se esvaindo tão rápido quanto o sol se punha.

05 de Junho de 2019 | Por Greg Weisman

Operação Desespero

Era o tudo ou nada. Gideon Jura montou seu pégaso e partiu em direção ao coração da tempestade, a Lâmina Negra em punho. Ele sabia que esta era a única arma capaz de ferir Bolas, o único golpe que poderia terminar a guerra.

Atrás dele, os Planeswalkers restantes uniram forças para uma última investida. Teyo ergueu o maior escudo que já criara, protegendo o avanço enquanto Liliana Vess observava do topo da pirâmide, seu rosto uma máscara de conflito.

12 de Junho de 2019 | Por Greg Weisman

Cinzas

A Lâmina Negra estilhaçou-se contra a fronte de Bolas. O silêncio que se seguiu foi mais alto que qualquer explosão. Gideon caiu e com ele, a última esperança de vitória.

Mas no momento final, Liliana Vess mudou de lado. Ela comandou a Horda Terrível contra seu mestre e, com a ajuda de Niv-Mizzet e das Sentinelas, o Dragão Ancião foi finalmente derrotado. Bolas dissolveu-se em cinzas, e a Guerra da Centelha chegou ao seu fim amargo.

Ajuda Improvável | Arte de: Viktor Titov
Triunfo de Liliana | Arte de: Kieran Yanner
Celebração em Todo o Plano | Arte de: Wisnu Tan
Juramento de Kaya | Arte de: Wesley Burt